XIII Congresso Ibérico de Entomologia

8 a 12 de Setembro de 2008

 

A serra da Estrela é a mais alta cadeia montanhosa de Portugal Continental, apresentando-se como o culminar da Cordilheira Central, em Portugal, que se estende desde Montejunto até à Estrela e que separa o Norte e o Sul, quer em termos biofísicos, quer em termos de ocupação humana.

Serra da Estrela

A serra destaca-se facilmente das terras baixas que a rodeiam pela sua dimensão. Este maciço apresenta-se como uma sucessão de planaltos, cortado por numerosos vales, onde correm rios e ribeiros e onde o último período glaciário deixou fortes marcas.

 

A altitude, a posição geográfica e os efeitos das glaciações convertem a serra da Estrela num espaço singular em termos paisagísticos, geológicos e biológicos. No Planalto Superior é  possível observar vales glaciários, com a sua característica forma em “U”, lagoas e charcos temporários de origem glaciária, imponentes afloramentos graníticos, dos quais se destacam os Cântaros, e moreias e campos de blocos erráticos.

Vista sobre o Planalto Superior

Vale da ribeira de Beijames

Relativamente à flora e vegetação destacam-se os cervunais, comunidades herbáceas dominadas pelo cervum (Nardus stricta), que crescem nos solos de turfa por entre os rochedos e que alimentam o gado nos meses de Verão. O zimbro (Juniperus communis) e os piornos (Cytisus oromediterranicus) são outros exemplos da flora de altitude que consegue resistir ao frio, ao vento e aos nevões do Inverno.

 

Quanto à fauna, o lobo (Canis lupus) e a águia-real (Aquila chrysaetus) são raramente observados. No entanto, muitas outras espécies com interesse para conservação da natureza encontram aqui um habitat privilegiado, como são os casos do falcão-peregrino (Falco peregrinus), da lontra (Lutra lutra), do lagarto-de-água (Lacerta schereiberi), da salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) e da lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola). Esta última, em Portugal, apenas existe na Estrela, ocorrendo acima dos 1400 metros de altitude.

Outrora, o Planalto Superior da Estrela acolhia, nos meses de Verão, grandes rebanhos transumantes, conduzidos por pastores que procuravam as pastagens de altitude. Por volta de Abril, quando a neve começava a derreter, deslocavam-se desde o sopé da serra, das terras baixas do Norte, da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo de regiões fronteiriças espanholas. No Outono, com o começo dos primeiros ventos frios, os rebanhos desciam para regiões de clima mais ameno, no Baixo Alentejo, campos do Mondego e para as campinas de Idanha. A lã adquiriu tal importância como matéria-prima que esteve na base da importante indústria de lanifícios da região. Hoje, esses movimentos transumantes praticamente cessaram. No entanto, os inúmeros testemunhos deixados na serra por esses pastores, como os abrigos rudimentares e os currais para os rebanhos, relembram um modo de vida característico, em vias de desaparecer.

Cervunal

Zimbral

Abrigo de pastores

Rebanho na lagoa da Francelha

Para o topo